OPERAÇÃO DO MPRJ TEM DEPUTADO VAL CEASA COMO ALVO, APREENDE R$ 166 MIL E ABALA OS BASTIDORES DA ALERJ
Na manhã desta quarta-feira, uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), com apoio da Polícia Civil, cumpriu mandados de busca e apreensão contra o deputado estadual Val Ceasa (PRD), no âmbito de uma investigação que apura suposta interferência política em benefício de integrantes da facção criminosa conhecida como Terceiro Comando Puro (TCP).
Ao contrário das informações que circularam nas redes sociais sobre uma suposta ação envolvendo 14 parlamentares, a investigação tem como principal alvo o deputado. Os 14 citados referem-se ao número de mandados judiciais expedidos e cumpridos durante a operação.
Durante o cumprimento das buscas, os agentes localizaram aproximadamente R$ 166 mil em dinheiro em espécie na residência do parlamentar. O valor foi apreendido e será analisado no decorrer das investigações para apuração de sua origem.
INVESTIGAÇÃO
O procedimento tramita no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e investiga a possível utilização da influência política para impedir ou retardar ações do poder público em uma área controlada pelo tráfico de drogas.
Segundo o Ministério Público, um dos episódios investigados ocorreu em dezembro de 2023, quando uma operação da Polícia Militar pretendia demolir uma construção de luxo atribuída ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do TCP no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.
Conforme a investigação, Val Ceasa e o então vereador Ulisses Marins teriam procurado o comando do 16º BPM (Olaria) para defender a manutenção do imóvel, argumentando que o espaço possuiria finalidade social para moradores da comunidade.
Ainda de acordo com os investigadores, a intervenção teria contribuído para o adiamento da demolição da construção, que acabou sendo realizada apenas em março de 2025.
REPERCUSSÃO
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro informou que prestou apoio ao cumprimento dos mandados judiciais e afirmou que continuará colaborando com as autoridades sempre que solicitado.
A Prefeitura do Rio declarou que Ulisses Marins chegou a ser analisado para ocupar um cargo na administração municipal no fim de 2025, mas não foi nomeado após não atender aos critérios estabelecidos pelos mecanismos de integridade adotados pelo município.
DEFESA
Em manifestações anteriores, Val Ceasa afirmou que sua atuação teve motivação social e negou ter buscado impedir a atuação das forças de segurança. Até o momento, não havia manifestação pública específica sobre o dinheiro apreendido durante a operação desta quarta-feira.
As investigações seguem sob responsabilidade do Ministério Público e da Polícia Civil, enquanto o caso permanece sob análise do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Até eventual condenação definitiva, os investigados são presumidos inocentes, conforme estabelece a Constituição Federal.



