Polícia Civil deflagra nova fase de operação contra grupo ligado ao Comando Vermelho; mandados são cumpridos em Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Mesquita, enquanto PM mantém ofensiva contra a expansão territorial do crime
A sexta-feira começou com a segurança pública do Rio novamente no centro das atenções. Depois de uma grande ofensiva da Polícia Militar contra a expansão territorial do Comando Vermelho, a Polícia Civil abriu uma nova frente de combate ao crime organizado na Baixada Fluminense.
E desta vez Nova Iguaçu está diretamente na operação.
A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira (14) a segunda fase da Operação Argus, conduzida pela 59ª DP (Duque de Caxias) e pela Delegacia Antissequestro (DAS). A investigação mira uma organização criminosa suspeita de envolvimento com cárcere privado, extorsão e lavagem de dinheiro.
Os agentes cumprem mandados simultaneamente em Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Mesquita e na capital, além de um endereço no Paraná. Até as primeiras horas da manhã, quatro pessoas haviam sido presas, segundo as informações divulgadas durante a operação.
Nova Iguaçu
A presença de Nova Iguaçu entre os alvos dá um peso especial à operação para a Baixada.
Não se trata apenas de uma ação policial de patrulhamento. Os investigadores estão tentando desmontar uma estrutura criminosa que, segundo a apuração, atuava na captura de vítimas, obtenção de senhas bancárias e movimentação de dinheiro obtido por meio de extorsões. (O Dia)
A investigação aponta que uma das vítimas ficou aproximadamente oito horas em poder dos criminosos, sob ameaça de arma de fogo. Durante o cárcere, foi obrigada a fornecer senhas e acessos bancários.
As movimentações identificadas pela polícia provocaram um prejuízo estimado em R$ 500 mil.
A primeira fase
A Operação Argus não começou hoje.
Na primeira etapa, três homens apontados como integrantes do grupo foram presos. Na mesma ocasião, policiais da Delegacia Antissequestro e da 59ª DP localizaram e libertaram uma vítima mantida em cativeiro. (Enfoco)
Agora, a segunda fase busca avançar sobre a estrutura da organização.
Os policiais procuram armas, munições, aparelhos eletrônicos, documentos financeiros, dinheiro, veículos de alto padrão e outros bens que possam ajudar a identificar a extensão do esquema e outros envolvidos.
A Baixada no mapa
O movimento desta sexta-feira não acontece isoladamente.
Desde quinta-feira, a Polícia Militar vem realizando uma grande operação contra o avanço territorial do Comando Vermelho em diferentes regiões do Estado. Foram mobilizados 27 batalhões, oito Comandos de Policiamento de Área e unidades especiais.
A ofensiva alcançou áreas da capital e municípios da Região Metropolitana e da Baixada.
Agora, com a Operação Argus, a Polícia Civil mira uma outra dimensão do problema: não apenas o domínio territorial, mas a estrutura criminosa responsável por sequestros, extorsões e circulação de dinheiro ilegal.
É uma mudança importante no combate ao crime organizado.
Dois lados da ofensiva
Enquanto a PM tenta impedir o avanço territorial de facções, a Polícia Civil trabalha para atingir estruturas específicas de investigação, inteligência e lavagem de dinheiro.
Na prática, são duas frentes diferentes contra o mesmo problema.
De um lado, policiais ocupam áreas, retiram barricadas, apreendem armas e procuram criminosos.
Do outro, investigadores tentam identificar quem financia, quem administra, quem movimenta o dinheiro e quem dá suporte à estrutura criminosa.
E a Baixada aparece nas duas frentes.
A pergunta
O que começa a ficar evidente é que a disputa contra o crime organizado no Rio não está limitada às grandes comunidades da capital.
Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Mesquita aparecem agora como pontos relevantes de uma investigação que atravessa fronteiras municipais e chega até outro Estado.
Isso mostra uma realidade que o morador da Baixada conhece há muito tempo: a criminalidade não respeita divisas administrativas.
O que acontece em uma cidade rapidamente produz reflexos na outra.
Por isso, a operação desta sexta-feira merece ser acompanhada até o fim.
Nova Iguaçu entrou na roda. E, desta vez, a mira não está apenas nas armas e nas barricadas: está também no dinheiro e na estrutura que sustentam o crime.
Fontes: Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro; 59ª DP (Duque de Caxias); Delegacia Antissequestro; CNN Brasil; O Dia; Enfoco; Agenda do Poder. (CNN Brasil)



