Rio de Janeiro. Se você olhar os números oficiais do governo, o Estado do Rio de Janeiro parece um lugar de dar inveja. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o Rio é a segunda maior economia do Brasil, sendo responsável por mais de 10% de toda a riqueza produzida no país. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado também é considerado alto, cravado na marca de 0,761. Mas quem acorda cedo na Baixada Fluminense, na Zona Oeste ou no interior sabe muito bem que essa riqueza toda não chega na ponta.
No dia a dia da rua, o fluminense vive uma realidade bem diferente, marcada pela falta de paz e pelo descaso.
Com as eleições batendo à porta, o recado de quem vota é urgente. Pesquisas recentes e o movimento das conversas nas redes sociais mostram que a população cansou de discursos bonitos de estúdio de TV. Existe uma cobrança pesada e direta focada em duas feridas abertas que ninguém aguenta mais ver sangrar: a Segurança Pública, exigida por 66% dos eleitores, e a Saúde, apontada como prioridade máxima por 52% do povo. O cidadão cansou de promessas vazias e quer soluções reais.
O medo que tranca as portas: 66% da população exige o direito de viver em paz
Sair de casa olhando para trás, mudar a rota do trabalho e viver com o coração na mão virou a rotina do fluminense. A violência armada não é só um número no jornal, ela dita como as pessoas vivem, e é por isso que quase sete em cada dez eleitores colocam esse tema no topo da lista. As redes sociais viraram um grande canal de desabafo e cobrança por ações práticas:
Sufocar o crime por onde dói, no bolso:
O morador do Rio não aceita mais aquela velha política de operações policiais que causam tiroteios em áreas residenciais e resolvem muito pouco. A cobrança hoje é por inteligência para cortar o dinheiro e o poder de milícias e facções que cobram taxas ilegais até de pequenos comerciantes e mototaxistas.
O drama dos roubos nas estradas e ruas: Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) confirmam que o roubo de carros e de cargas continua tirando o sono de quem trabalha ao volante. Isso encarece o preço das coisas nas prateleiras e faz o motorista de aplicativo trabalhar com medo constante.
Polícia onde o trabalhador está: O que o povo pede na internet é o básico: policiamento preventivo diário perto de pontos de ônibus, estações de trem e calçadões de comércio na periferia, locais que costumam ficar abandonados.
O sufoco na busca por atendimento: 52% exigem o fim da humilhação na saúde
Logo depois do medo da violência, vem o desespero de ver um filho ou um idoso doente e não ter para onde correr. Mais da metade dos eleitores fluminenses aponta a saúde pública como uma emergência que precisa de conserto imediato. Quem usa o sistema público relata um sofrimento diário na internet que expõe o tamanho do problema:
O pesadelo da fila do Sisreg:
Conseguir uma consulta com especialista, um exame de imagem ou uma cirurgia pelo sistema de regulação virou uma loteria demorada. Pacientes graves passam semanas ou meses esperando em UPAs superlotadas por uma vaga em hospitais grandes de alta complexidade.
Leitos vazios e falta de estrutura: Embora relatórios apontem que houve alguma melhora na oferta de vagas em hospitais públicos nos últimos tempos, o fechamento crônico de alas por falta de manutenção e a falta de médicos especialistas criam um efeito cascata que sobrecarrega todo o sistema.
Falta o básico do básico: O eleitorado cobra o funcionamento das coisas simples. O povo quer médicos plantonistas que cumpram o horário de verdade, aparelhos de tomografia e raio-X que não fiquem quebrados por meses e farmácias populares abastecidas com remédios de uso contínuo para pressão e diabetes.
Chega de briga partidária: o eleitor quer um gestor de verdade
A grande lição que as pesquisas trazem para os políticos é que o fluminense está cansado daquela briga ideológica sem fim entre a esquerda e a direita nacionais. De acordo com o instituto Quaest, 43% da população prefere um governador independente, ou seja, alguém focado em administrar o Rio de Janeiro e que consiga conversar com Brasília para trazer verbas, sem precisar ficar batendo boca por partido. A outra parte se divide entre os que fazem questão de um candidato totalmente ligado ao bolsonarismo (28%) e os que preferem alguém alinhado de olhos fechados ao lulismo (24%.
Na corrida pelos votos, candidatos conhecidos como Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos) tentam usar a internet para mostrar que têm a solução para esses problemas históricos. Mas o grande dado do momento é o número altíssimo de pessoas indecisas ou que pretendem votar em branco e nulo quando ninguém sugere um nome. Isso mostra que o povo do Rio está de olhos bem abertos, desconfiado e guardando o voto apenas para quem provar que vai mudar a realidade do posto de saúde e da segurança da rua onde eles moram.
Fonte Portal Magazine de Notícias



