INVERNO, TEMPO SECO E MUDANÇAS BRUSCAS DE TEMPERATURA ACENDEM O SINAL VERMELHO EM NOVA IGUAÇU; HOSPITAL É REFERÊNCIA PARA CASOS GRAVES NA BAIXADA
NOVA IGUAÇU — O inverno chegou e, com ele, um velho problema que costuma bater primeiro na porta das crianças: as doenças respiratórias. Em Nova Iguaçu, os números do Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI) colocam a rede pública de saúde novamente em estado de atenção.
Dados do levantamento apontam que 409 crianças foram internadas no HGNI por doenças respiratórias ao longo de 2026. O cenário se torna ainda mais preocupante quando observado o período entre abril e julho, justamente na transição para os meses mais frios: foram 338 internações pediátricas relacionadas a problemas respiratórios, o equivalente a aproximadamente 82% do total de 409 internações contabilizadas no ano até então.
Não é apenas uma questão de estatística. Por trás de cada número existe uma criança que precisou deixar a rotina, a escola e a família para ocupar um leito hospitalar.
E o alerta chega justamente no período em que fatores ambientais costumam favorecer o agravamento dos quadros respiratórios. Frio, baixa umidade, mudanças repentinas de temperatura, poluição e circulação de vírus podem aumentar a ocorrência ou agravar problemas como bronquiolite, bronquite, asma, pneumonia e outras infecções respiratórias.
O próprio HGNI já alertou em anos anteriores para esse comportamento sazonal. Em comunicado divulgado durante o inverno de 2021, a unidade relacionou o aumento dos problemas respiratórios em crianças às mudanças de temperatura, ao tempo seco e à redução das chuvas. Na ocasião, o hospital também destacou que atende pacientes de praticamente toda a Baixada Fluminense e convive com pressão sobre sua capacidade de atendimento.
O PROBLEMA NÃO COMEÇA NO LEITO DO HOSPITAL
O número de internações também revela outro problema: muitas vezes, a porta de entrada da doença está fora do hospital.
Uma criança que passa dias exposta a ar seco, fumaça, poluição, poeira ou ambientes fechados e pouco ventilados pode apresentar sintomas que começam aparentemente simples e evoluem rapidamente.
É justamente por isso que o acompanhamento nas unidades básicas, a vacinação, a identificação precoce dos sintomas e o atendimento nas UPAs têm papel importante para evitar que casos inicialmente leves cheguem à internação.
Em maio de 2025, Nova Iguaçu precisou reforçar a estrutura justamente diante de uma explosão de casos respiratórios infantis. Segundo a Prefeitura, os atendimentos de emergência de crianças por síndrome respiratória aguda no HGNI saltaram de 291 nos primeiros quatro meses de 2024 para 815 no mesmo período de 2025, aumento de 180%. Na ocasião, foram anunciados 16 novos leitos pediátricos para enfrentar a demanda.
UM HOSPITAL QUE RECEBE A PRESSÃO DA BAIXADA
O HGNI não atende apenas moradores de Nova Iguaçu. A unidade funciona como referência de urgência e emergência para uma população muito maior da Baixada Fluminense.
Em março deste ano, a Prefeitura destacou o hospital como referência regional em urgência e emergência e informou que a unidade mantinha programas de residência médica, incluindo pediatria. (Prefeitura de Nova Iguaçu)
Isso significa que um aumento expressivo das internações infantis não representa somente uma preocupação para Nova Iguaçu. É um alerta para toda a rede regional de saúde.
Quando aumenta a quantidade de crianças internadas, aumenta também a necessidade de leitos, profissionais, medicamentos, exames, oxigênio, equipamentos e acompanhamento especializado.
E AGORA, QUEM ESTÁ PREPARADO?
A pergunta que fica é inevitável: a rede pública de Nova Iguaçu está preparada para enfrentar uma eventual continuidade do aumento das doenças respiratórias durante o restante do inverno?
A resposta passa pela capacidade de atendimento das UPAs, pela disponibilidade de leitos pediátricos, pelo estoque de medicamentos e insumos, pela vacinação e, principalmente, pela capacidade do HGNI de absorver casos graves sem transformar a emergência em uma fila permanente.
O próprio planejamento municipal para 2026 reconhece o papel estratégico do HGNI e prevê a manutenção e operacionalização da rede hospitalar, além de ações de reforma e ampliação da unidade.
PAIS DEVEM FICAR ATENTOS
Febre persistente, dificuldade para respirar, respiração acelerada, chiado no peito, prostração, lábios arroxeados e piora do estado geral são sinais que exigem avaliação médica.
O alerta não significa que toda criança com tosse ou coriza precise procurar um hospital. Mas significa que não se deve esperar o quadro piorar para buscar atendimento quando surgirem sinais de gravidade.
No caso dos bebês e crianças pequenas, a atenção precisa ser ainda maior.
O ALERTA ESTÁ DADO
Os números de 2026 colocam uma pergunta incômoda sobre a mesa: se mais de oito em cada dez internações pediátricas contabilizadas no recorte analisado estão relacionadas a doenças respiratórias, estamos diante apenas de um efeito sazonal ou de uma pressão que pode se repetir e crescer nos próximos meses?
O inverno ainda não terminou.
E, em uma cidade com uma rede pública que atende não apenas seus moradores, mas pacientes de toda a Baixada, prevenir uma nova onda de internações infantis é muito mais barato — e muito menos doloroso — do que esperar as crianças chegarem aos leitos do HGNI.
A situação merece acompanhamento diário dos números, transparência sobre a ocupação dos leitos pediátricos e uma resposta objetiva do poder público sobre a estrutura disponível para enfrentar o restante do período de maior circulação das doenças respiratórias.



