MARLI DO PEIXE E DR. HENRIQUE PAES: DOIS CORAÇÕES, UMA MESMA MISSÃO — DA MÁQUINA DE COSTURA À MEDICINA, HISTÓRIAS DE VIDA DEDICADAS A AJUDAR
Foto: Da esq/dir. Carlinhos Presidente Marli do Peixe Dr Henrique Paes e enfermeira Karen
Ela transformou uma cirurgia no coração em uma nova razão para viver. Ele transformou as dificuldades da infância em uma missão através da medicina. Marli do Peixe e Dr. Henrique Paes mostram que a solidariedade nasce antes dos cargos e dos reconhecimentos.
Algumas histórias não começam em escritórios, palanques ou grandes estruturas. Começam na simplicidade da vida real, nas dificuldades enfrentadas dentro de casa e na vontade de não passar indiferente diante da dor de alguém. É assim que se cruzam as trajetórias de Marli Lopes, a Dona Marli do Peixe, e do médico Dr. Henrique Paes, duas pessoas que chegaram por caminhos diferentes ao mesmo ponto: o cuidado com o ser humano.
Marli tem 69 anos, mora na Palhada, em Nova Iguaçu, nasceu em 1957, é evangélica e carrega uma história construída com muito trabalho. Durante muitos anos, sua vida esteve ligada à máquina de costura. Entre tecidos, linhas e agulhas, aprendeu que toda conquista exige esforço. Mas a vida reservou uma prova ainda maior. Há cerca de 13 anos, precisou enfrentar uma cirurgia no coração. Foi um momento de transformação. O coração foi operado. A vontade de viver, sim.
A partir daquele momento, Marli passou a enxergar a própria existência de outra maneira. A segunda chance que recebeu não poderia ser apenas para ela. Nasceu dentro dela a vontade de fazer mais pelas pessoas. Foi desse sentimento que surgiu a ONG Sabor de Mel, um trabalho que começou com solidariedade e ganhou uma dimensão que marcou a vida de milhares de famílias em Nova Iguaçu.
Segundo Marli, a entidade chegou a receber entre 13 e 14 toneladas de alimentos por semana através de programas do Governo Federal operacionalizados pela Conab, com participação de agricultores. Para muitos, seriam apenas números. Para ela, eram histórias. Cada alimento tinha um destino, cada entrega tinha um rosto, cada família carregava uma necessidade diferente. Segundo seu relato, mais de 100 mil famílias chegaram a fazer parte de seu cadastro ao longo dessa caminhada.
E é justamente nesse olhar para o outro que sua história encontra a de Henrique Paes. Antes de ser médico e antes de entrar na vida pública, Henrique também conheceu as dificuldades de uma família que precisava lutar todos os dias. Ainda criança, vendeu mangas na feira para ajudar a família, uma experiência que ajudou a formar sua visão sobre esforço, dignidade e solidariedade. O menino que precisou trabalhar cedo cresceu com a certeza de que ninguém deve ser abandonado quando precisa de ajuda.
A medicina veio como consequência dessa vocação de cuidar. Nas suas falas, Henrique costuma deixar claro que, antes de qualquer função pública, ele é médico. É a medicina que está no centro da sua caminhada. A política aparece como um instrumento para buscar melhorias, principalmente para uma saúde mais justa e acessível à população.
Ao longo de sua trajetória, Henrique também manteve ações voltadas ao atendimento de pessoas que não têm condições de pagar uma consulta e apoio a famílias em situação de dificuldade, incluindo a distribuição de cestas de alimentos aos mais carentes. Em 2022, na disputa para deputado federal pelo Rio de Janeiro, recebeu 24.089 votos, mas sua história, assim como a de Marli, não cabe apenas em um resultado eleitoral.
Porque antes dos números existem as vidas.
Essa mesma força de mobilização esteve presente no lançamento de sua candidatura, realizado no sábado, 29 de agosto, na quadra do Leão, em Nova Iguaçu. O evento reuniu mais de 3 mil pessoas, um dos maiores públicos de apoiadores eleitorais já registrados no município nesta caminhada, mostrando a capacidade de unir pessoas em torno de uma mensagem de transformação.
Mais do que um número, a presença de milhares de apoiadores revelou uma demonstração de força e união. Para Henrique, que costuma afirmar que antes de ser político é médico, a mobilização representa o reconhecimento de uma trajetória construída no contato direto com as pessoas e no compromisso com uma saúde mais próxima da população.
E talvez seja justamente por isso que as histórias de Marli e Henrique se encontram de maneira tão natural. Ela aprendeu a lidar com a urgência da fome. Ele aprendeu a lidar com a urgência da dor.
“QUEM TEM DOR,FOME, TEM PRESSA.”
A frase resume uma visão de mundo. A fome não espera. A dor não espera. A necessidade de uma pessoa não pode ser adiada.
Marli não começou sua missão por causa de uma eleição. Seu trabalho nasceu antes, dentro da comunidade, através da Sabor de Mel e da relação construída com as famílias. Henrique também não começou a cuidar das pessoas por causa da política. Sua trajetória começou na infância, passou pela medicina e chegou ao compromisso público.
O encontro dos dois acontece justamente nesse ponto: duas pessoas que conheceram dificuldades diferentes e escolheram transformar suas experiências em cuidado.
Hoje, a Sabor de Mel está parada. Segundo Marli, faltam recursos e principalmente um veículo para que as atividades possam voltar a funcionar. Mas a vontade permanece. Aos 69 anos, com a saúde recuperada, ela quer novamente colocar o trabalho nas ruas, reencontrar famílias e continuar aquilo que fez durante anos.
E talvez exista uma simbologia forte nisso. Durante muito tempo, Marli foi a pessoa que estendia a mão. Agora, ela encontra alguém disposto a ajudar para que ela possa voltar a fazer o que sempre fez: ajudar.
Não é apenas uma questão de apoio. É o encontro de duas histórias humanas.
Uma mulher que saiu da máquina de costura, enfrentou o próprio coração e transformou sua vida em solidariedade. Um médico que saiu de uma infância de dificuldades, chegou à medicina e fez do cuidado com as pessoas uma missão.
Marli conhece a fome.
Henrique conhece a dor.
Ela alimentou famílias.
Ele cuidou de pacientes.
Ela construiu uma rede de solidariedade.
Ele construiu uma trajetória de atendimento.
No final, os dois chegam ao mesmo lugar: o ser humano.
Porque existem pessoas que deixam marcas pelo que possuem. Outras deixam marcas pelo que fazem pelos outros.
A história de Marli do Peixe é feita de famílias que receberam ajuda. A história de Dr. Henrique Paes é feita de pessoas que buscaram cuidado.
E talvez seja isso que une os dois: o coração sem vaidade, a vontade de servir e a certeza de que ajudar alguém não deve depender de quem essa pessoa é, mas daquilo que ela precisa naquele momento.
Ajudar sempre. Atrapalhar nunca.
Marli do Peixe e Dr. Henrique Paes: duas histórias diferentes, uma mesma missão.
Porque quem tem dor, fome, tem pressa.
E quem tem coração, ajuda.
Por Jornalista Arinos Monge



