Levantamento do Magazine Rio a partir dos números oficiais mostra média de queda de 45,4% nos 13 perímetros com dados comparáveis; em nove dias, balanço registra mais 31 prisões ou conduções
O Rio de Janeiro entrou nesta quinta-feira (17) em uma nova fase do policiamento municipal, com a Força Municipal espalhada por 14 áreas consideradas estratégicas pela Prefeitura. Mas uma leitura mais detalhada dos números divulgados hoje revela um detalhe que merece atenção: embora sejam 14 os perímetros atualmente atendidos, somente 13 aparecem no balanço com percentuais comparáveis de redução de roubos e furtos.
A explicação está na própria cronologia da operação. Santa Cruz foi incorporada ao esquema somente no último domingo (13), com atuação concentrada na estação de trem, no centro comercial e nas proximidades do Santa Cruz Shopping. Por isso, ainda não existe uma série comparativa suficiente para medir o impacto do novo policiamento naquele território. (Prefeitura do Rio)
O Magazine Rio cruzou os percentuais divulgados pela Prefeitura para os outros 13 perímetros. A média das reduções informadas chega a aproximadamente 45,4%. Em cinco dessas áreas, a queda foi de pelo menos 50%.
O maior recuo aparece no entorno do Metrô Botafogo, Rua São Clemente e Rua Voluntários da Pátria: 73,10%. Em seguida aparecem Freguesia e Jacarepaguá, com 71,40%; o eixo Lauro Müller, General Severiano e Venceslau Brás, com 65,30%; e o corredor Rodoviária, Terminal Gentileza e Estação Leopoldina, com 62,40%. (Prefeitura do Rio)
No Centro, o perímetro que reúne Avenida Presidente Vargas, Central do Brasil, Campo de Santana e Cinelândia apresentou redução de 43,60%. Em Bangu, a queda informada foi de 50%. Campo Grande aparece com 38,50%, Tijuca com 38,60% e Méier e Cachambi com 16,80%.
A Prefeitura informa que os percentuais foram calculados com base nos registros de roubos e furtos de celulares e contra pedestres, comparando os mesmos períodos de 2025 e 2026 e considerando especificamente os horários de atuação da Divisão de Elite da Guarda Municipal. Os dados ainda são parciais e não passaram pela compilação definitiva. (Prefeitura do Rio)
Mas existe outro movimento importante escondido no balanço.
No dia 8 de setembro, quando Santa Cruz foi anunciada como a 14ª área de atuação, a Prefeitura contabilizava 1.215 prisões e conduções, 300 celulares e 237 motocicletas recuperados ou apreendidos. No balanço divulgado hoje, esses números passaram para 1.246 prisões e conduções, 317 celulares e 243 motocicletas.
Em apenas nove dias, portanto, foram acrescentadas 31 prisões ou conduções, 17 celulares e seis motocicletas ao balanço operacional divulgado pela Prefeitura. Também houve aumento de 31 para 32 mandados de prisão cumpridos, de 70 para 71 armas brancas apreendidas, enquanto o número de réplicas de armas permaneceu em 21. (Prefeitura do Rio)
Desde o início da operação, em março, a Força Municipal contabiliza mais de 13 mil abordagens. O balanço também registra uma pistola, 21 réplicas de armas de fogo e 71 armas brancas apreendidas.
O novo mapa mostra uma estratégia concentrada em áreas de grande circulação, principalmente no entorno de estações, corredores comerciais, terminais de transporte e pontos de conexão entre bairros.
Agora, o próximo número que merece acompanhamento é Santa Cruz. Com a entrada efetiva da Força Municipal no dia 13, o bairro passa a integrar o mapa operacional, mas ainda não é possível dizer, com base nos dados divulgados hoje, qual foi o impacto do policiamento sobre os roubos e furtos na região.
Esse será o primeiro indicador a observar nas próximas atualizações.
Fontes: Prefeitura do Rio de Janeiro; Instituto de Segurança Pública (ISP); Secretaria Municipal de Ordem Pública.
Por Jornalista Arinos Monge



