Pedra do Sal vira alvo de milionários: mega leilão coloca 73 imóveis no mercado e acende nova corrida imobiliária no coração do Rio
Com lances a partir de R$ 103 mil e expectativa de movimentar mais de R$ 33 milhões, região histórica da Zona Portuária entra de vez na mira de investidores, fundos e gigantes do mercado imobiliário
O velho coração boêmio do Rio de Janeiro voltou ao centro da disputa milionária. A região da Pedra do Sal, símbolo da cultura negra, do samba e da memória carioca, agora também virou território cobiçado pelo mercado imobiliário. Um mega leilão colocou à venda 73 imóveis residenciais e comerciais espalhados entre a Zona Portuária e o entorno do Porto Maravilha, numa operação que promete movimentar mais de R$ 33 milhões.
O certame, conduzido pela Taba Leilões, já desperta interesse de incorporadoras, investidores e fundos que enxergam na região um dos metros quadrados mais promissores da capital fluminense. Os imóveis foram divididos em nove lotes estratégicos, misturando casas antigas, prédios comerciais e unidades com forte potencial de retrofit.
Entre os destaques, o lance inicial mais barato parte de R$ 103,6 mil, referente a uma casa localizada na Freguesia de Santa Rita. Já o pacote mais pesado reúne 14 imóveis e abre a disputa com lance mínimo de R$ 9 milhões. O detalhe que afunila a concorrência: o pagamento precisa ser feito à vista. O prazo para participação termina em 26 de maio.
Nos bastidores do mercado, a leitura é clara: a região portuária entrou definitivamente no radar da especulação e da revitalização urbana. O avanço dos retrofits — modelo que moderniza prédios antigos sem apagar sua identidade histórica — vem transformando imóveis esquecidos em ativos altamente lucrativos, principalmente para aluguel por temporada e pequenos estúdios voltados ao turismo.
O exemplo mais emblemático dessa nova fase foi o sucesso do empreendimento Sal Rio Residencial, que em 2024 movimentou cerca de R$ 60 milhões em vendas. O projeto recuperou o antigo prédio que pertenceu ao empresário e magnata da imprensa Assis Chateaubriand, transformando antigas redações históricas em apartamentos modernos no coração da Pequena África carioca.
Enquanto investidores fazem contas e o mercado comemora a valorização acelerada da área, moradores antigos e movimentos culturais observam a transformação com atenção. A pergunta que começa a ecoar pelas ladeiras da Pedra do Sal é direta: revitalização ou elitização disfarçada de progresso?
Por: Editoria




