A Quaresma de Douglas Ruas: Sem pão, sem vinho e com muita sola de sapato
No Rio de Janeiro, a política não é para amadores, mas o que o deputado Douglas Ruas (PL) está vivendo é um curso intensivo de sobrevivência na selva orçamentária. Com a ascensão do governador interino Ricardo Couto, o estado saiu do regime de “open bar” de convênios para uma dieta de água e sal que está deixando o pré-candidato do PL com as bochechas encovadas e os sapatos gastos.
O Milagre da Multiplicação da Saliva
O cenário na Baixada Fluminense, reduto onde Ruas tentou consolidar apoio este fim de semana, é de um pragmatismo cruel. Sem a “caneta pesada” da Alerj em sintonia com o Palácio Guanabara, o aperto de mão das lideranças locais ficou mole. Onde antes se ouvia “sim, governador”, agora se ouve “veja bem, a agenda está apertada”.Ruas descobriu, da pior forma, que na Baixada o amor político é movido a óleo diesel: sem o combustível dos repasses, a máquina de apoio simplesmente não arranca.
Com as torneiras fechadas e o bloqueio de R$ 730 milhões destinados a prefeituras “amigas”, o pré-candidato virou um caixeiro-viajante que tenta vender enciclopédia em tempos de Google.O Pente-Fino e a Navalha de Couto, enquanto Ruas gasta saliva em Duque de Caxias, o governador interino empunha a navalha no Diário Oficial. O pente-fino já passou de 1.400 exonerações. Na prática, Couto está “desinfetando” as secretarias de qualquer vestígio do grupo de Cláudio Castro, deixando Ruas no vácuo administrativo. É a política do enxugamento: quem tem mandato, se esconde; quem não tem, chora no pé do STF.
A ironia é deliciosa para os adversários (especialmente para o grupo de Eduardo Paes, que assiste a tudo com um sorriso de orelha a orelha): o mesmo Douglas Ruas que operava a “máquina das bondades” agora precisa de uma liminar judicial para tentar assumir o governo interino e, quem sabe, religar a bomba de infusão de recursos antes que seus aliados debandem para o primeiro palanque que ofereça um asfalto fresco.Conclusão: Sola, Suor e LágrimasSe a máquina do estado não vai patrocinar a campanha, o destino de Ruas é o asfalto quente.
Ele vai precisar de muitos pares de sapatos e de uma paciência de monge para ouvir o “não” de prefeitos que, até ontem, juravam lealdade eterna em troca de uma secretaria de porteira fechada.No Rio de hoje, a única coisa que sobra é o chororô. Para Douglas Ruas, a eleição de 2026 começou com um balde de água gelada nas pretensões e um aviso claro: a festa acabou, a luz apagou e o garçom (o Tesouro Estadual) já foi embora com a chave do caixa.
Por: Editoria



