Canetada de Ricardo Couto esvazia gabinetes de federais e estaduais e provoca pânico na Alerj e em Brasília
Com salários atrasados e contas no prego, governador interino corta cargos para colocar as finanças nos eixos
A onda de demissões promovida pelo governador interino Ricardo Couto provocou um verdadeiro terremoto político. A decisão de cortar mais de mil e quinhentos cargos de confiança retirou o poder de deputados federais e estaduais que usavam essas vagas para manter suas bases eleitorais na Baixada Fluminense. Sem o controle de diretorias regionais do Detran e de órgãos de transporte os parlamentares agora se queixam de isolamento político e temem perder força junto aos prefeitos da região. O clima nos bastidores da Alerj e em Brasília é de total incerteza pois o Palácio Guanabara fechou as portas para as indicações políticas tradicionais.
A canetada do governador interino atingiu em cheio os acordos firmados para obras de infraestrutura em municípios populosos como Nova Iguaçu e Duque de Caxias. Grandes frentes de asfalto e saneamento básico financiadas com recursos estaduais entraram em ritmo lento devido ao travamento na liberação de verbas. Essa quebra de braço cria um cenário de paralisia e faz a bancada do Rio de Janeiro correr nos ministérios em Brasília para tentar blindar emendas parlamentares. Prefeitos e deputados buscam saídas urgentes para salvar os investimentos enquanto partidos acionam o Supremo Tribunal Federal para acelerar a convocação de novas eleições suplementares.
A justificativa para as medidas extremas reflete a situação de calamidade financeira do estado. Com o Rio de Janeiro contando moedas e enfrentando atrasos no pagamento de salários o fechamento de bicas de recursos virou regra para evitar um colapso total. Para colocar as contas públicas nos eixos novos decretos proibiram aditivos em contratos suspenderam gratificações e congelaram concursos públicos. Cidades como São João de Meriti e Belford Roxo já sofrem com o atraso nos repasses para hospitais e UPAs obrigando as lideranças políticas a reverem prioridades diante do severo aperto fiscal.



