Nilópolis já cassou vereadores por Fraude em Cotas de Gênero, mas Nova Iguaçu ainda espera a justiça sair do papel
Rodrigo Luiz, do PSD, com 5.401 votos, e Marquinho do Chapéu, do PDT, com 4.221 votos, aguardam a retotalização enquanto cresce a pressão sobre a lentidão da Justiça Eleitoral iguaçuana
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro que confirmou, na semana passada, a cassação da chapa da federação PSOL/Rede em Nilópolis por fraude à cota de gênero aumentou ainda mais a pressão sobre a Justiça Eleitoral em Nova Iguaçu. Enquanto Nilópolis já avança para a nova contagem de votos e mudanças na Câmara Municipal, em Nova Iguaçu o processo segue travado, mesmo após sentença determinando cassação, anulação dos votos e recontagem eleitoral.
O centro das cobranças continua sendo a demora na execução das decisões já proferidas pela 156ª Zona Eleitoral. Nos bastidores da política iguaçuana, cresce a pressão sobre o juiz eleitoral Gustavo Quintanilha Telles de Menezes, acusado por grupos políticos e eleitores de permitir que o caso se arraste há mais de 17 meses.
A avaliação entre suplentes, juristas e lideranças políticas é de que os recursos são um direito legítimo das partes, mas não podem servir como justificativa para transformar a cidade em refém de uma morosidade sem fim, principalmente após a própria Justiça já reconhecer a fraude eleitoral.
Quem acompanha cada movimentação de perto é o suplente Rodrigo Luiz, do PSD. Nas eleições de 2024, ele recebeu 5.401 votos e ficou como primeiro suplente na linha da possível retotalização eleitoral. Nos corredores políticos da cidade, a frase já virou comentário frequente: “Rodrigo Luiz está na porta da Câmara de malas prontas”.
Outro nome que voltou ao centro das articulações é o de Marquinho do Chapéu, do PDT. Com 4.221 votos nas urnas, ele também aparece entre os principais nomes que podem ser beneficiados pela nova recontagem eleitoral determinada pela Justiça. Marquinho, inclusive, foi um dos responsáveis por provocar o debate sobre as suspeitas de candidaturas femininas fictícias no município, tema que acabou explodindo politicamente em Nova Iguaçu.
A pressão aumentou depois da decisão envolvendo Nilópolis, onde o TRE-RJ manteve a cassação da chapa acusada de usar candidaturas femininas fictícias apenas para cumprir formalmente a legislação eleitoral. Lá, o entendimento da Justiça já começa a produzir efeitos concretos. Em Nova Iguaçu, porém, a sensação é de estagnação.
Nos bastidores, políticos lembram que a cidade já assistiu outros processos eleitorais se arrastarem por anos sem consequências imediatas, permitindo que grupos permanecessem no comando político enquanto os recursos seguiam intermináveis.
A insatisfação chegou até o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Manifestos e reclamações enviados por eleitores e lideranças locais questionam a lentidão dos processos eleitorais no município e cobram aplicação prática da Súmula 73 do Tribunal Superior Eleitoral, que prevê cassação da chapa, anulação dos votos e recontagem eleitoral em casos comprovados de fraude à cota de gênero.
Enquanto isso, Nova Iguaçu segue vivendo um cenário que mistura insegurança jurídica, tensão política e descrença popular. E nos corredores da Câmara Municipal, a pergunta continua ecoando: se a fraude já foi reconhecida e a cassação já foi determinada, por que a cidade ainda espera a Justiça sair do papel?
Fonte: Coluna Jornalista Arinos Monge Ultima Hora Online




