JAPERÍ NO RADAR DA POLÍCIA CIVIL: OPERAÇÃO INVESTIGA DINHEIRO, CARGOS E ARTICULAÇÃO PARA AFASTAR PREFEITA
A política de Japeri amanheceu nesta sexta-feira sob o impacto de uma operação da Polícia Civil que colocou a Câmara Municipal no centro de uma investigação sobre uma suposta articulação para compra de apoio político, corrupção e extorsão.
Batizada de Operação Preço do Poder, a ação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, incluindo a sede do Legislativo municipal.
A investigação tenta esclarecer se dinheiro público, cargos comissionados e outras vantagens teriam sido utilizados para construir uma base política dentro da Câmara com um objetivo específico: reunir votos suficientes para viabilizar o afastamento da prefeita Fernanda Ontiveros.
É justamente esse ponto que dá dimensão política ao caso.
A suspeita investigada pela Polícia Civil não seria apenas a de pagamento de propina a um agente público isoladamente. O que está sendo apurado é a possível existência de uma engrenagem política destinada a conquistar adesões dentro do Legislativo e alterar a correlação de forças na Câmara.
Segundo as informações divulgadas até agora, teria sido oferecida a quantia de R$ 400 mil ao vereador Mateus Coutinho Ferraz para que permanecesse alinhado ao grupo investigado.
O presidente da Câmara, Rogério Gomes Castro, aparece nas investigações como um dos principais nomes da suposta articulação.
A Polícia Civil também apura a possível utilização de cargos comissionados como instrumento de negociação política. Conforme as informações divulgadas sobre a investigação, pessoas indicadas por vereadores poderiam receber salários superiores a R$ 10 mil sem exercer efetivamente as funções para as quais teriam sido nomeadas.
É justamente daí que surge uma das suspeitas mais delicadas da operação: a possível existência de servidores fantasmas utilizados como parte de uma estrutura de sustentação política.
Se confirmadas, as suspeitas revelariam um mecanismo que iria muito além da troca tradicional de apoio político. Dinheiro, cargos e estrutura administrativa poderiam ter sido utilizados para formar maioria dentro do Legislativo e interferir diretamente no comando do município.
A Polícia Civil, entretanto, ainda está na fase de investigação. As pessoas citadas na operação são investigadas e não podem ser tratadas como culpadas antes do encerramento do processo e de eventual condenação judicial.
Também é importante separar fatos distintos.
Rogério Gomes Castro já aparece em outros registros judiciais e administrativos envolvendo sua atuação pública. Existem, inclusive, processos e representações no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro relacionados à Câmara de Japeri. Esses procedimentos, porém, não devem ser automaticamente vinculados à Operação Preço do Poder sem que a investigação demonstre qualquer conexão.
O mesmo cuidado vale para processos judiciais anteriores envolvendo investigados. O histórico de uma pessoa não prova participação em um novo fato.
O que a operação desta sexta-feira procura descobrir é outra coisa: se existiu uma estrutura organizada para negociar apoio parlamentar, distribuir vantagens e formar uma maioria capaz de provocar a saída da prefeita.
E esse talvez seja o aspecto mais explosivo da investigação.
Porque, se a suspeita for confirmada, o caso deixará de ser apenas uma investigação sobre corrupção dentro de uma Câmara Municipal. Poderá revelar uma tentativa de utilização da estrutura do Poder Legislativo como instrumento para uma mudança de poder no Executivo municipal.
Agora, o material apreendido pela Polícia Civil passa a ser fundamental.
Documentos, celulares, computadores, mensagens, registros financeiros e outros elementos recolhidos durante as buscas poderão indicar se as negociações realmente ocorreram, quem participou delas, quais valores foram discutidos, quais cargos estavam envolvidos e, principalmente, se havia uma estratégia coordenada para reunir votos contra a prefeita.
A Operação Preço do Poder abre, portanto, uma nova frente de tensão política em Japeri.
Mais do que descobrir quem ofereceu ou quem teria recebido dinheiro, a investigação terá de responder a uma pergunta maior:
havia uma estrutura organizada para comprar apoio político dentro da Câmara e, com isso, mudar o comando da Prefeitura de Japeri?
É essa resposta que poderá transformar a operação desta sexta-feira em um dos mais importantes episódios políticos da Baixada Fluminense em 2026.
Fontes: Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e informações publicadas pelo jornal O Dia.



