LUZ, CÂMERA, DINHEIRO: RIO QUER VIRAR IMÃ DE FILMES E GRANDES PRODUÇÕES — MAS A CONTA PRECISA FECHAR
O Rio de Janeiro pode ganhar uma nova política para tentar atrair filmes, séries e grandes produções audiovisuais para o Estado.
A proposta está na Alerj e resgata o Projeto de Lei 3.574/2024, que prevê mecanismos de apoio financeiro para produções nacionais e internacionais realizadas em território fluminense.
A ideia parece simples: atrair quem produz cinema para gastar dinheiro no Rio.
Mas, por trás das câmeras, existe uma discussão econômica bem maior.
O projeto prevê apoio parcial a despesas realizadas no Estado e estabelece critérios relacionados aos investimentos, à geração de empregos e à contratação de profissionais residentes no Rio.
Na prática, a produção de um filme ou série movimenta muito mais do que atores e diretores.
Hotel, transporte, alimentação, locação de equipamentos, cenografia, segurança, figurino, técnicos, motoristas, restaurantes e dezenas de outros serviços entram na conta.
É dinheiro circulando.
E o Rio já tem uma vantagem que poucos lugares conseguem oferecer: paisagens, infraestrutura, mão de obra especializada e uma marca turística conhecida mundialmente.
O desafio é transformar essa vantagem em política econômica.
Porque a pergunta que precisa acompanhar qualquer incentivo público é simples:
quanto o Estado vai colocar e quanto pretende receber de volta?
Se uma produção recebe apoio financeiro para filmar no Rio, é preciso saber quanto ela investirá localmente, quantos empregos criará, quantos profissionais fluminenses serão contratados e qual será o impacto sobre turismo e arrecadação.
Não é apenas incentivo para fazer filme.
É uma tentativa de transformar o audiovisual em indústria, emprego, turismo e arrecadação.
E existe ainda um detalhe importante: produções internacionais costumam deixar dinheiro justamente onde a câmera não aparece.
Uma equipe passa semanas ou meses em uma cidade. Ocupa hotéis, contrata serviços, aluga veículos, compra alimentos, utiliza espaços e movimenta fornecedores.
O dinheiro do cinema pode, portanto, acabar muito além do estúdio.
A proposta ainda precisa avançar na Assembleia Legislativa e passar pelas etapas de análise e votação. Portanto, não existe ainda uma política implantada nem um cheque liberado.
Mas o debate merece atenção.
O Rio já vende sua imagem para o mundo.
Agora a discussão é saber se também consegue vender o Estado como um grande set de filmagem — sem transformar incentivo fiscal ou financeiro em dinheiro jogado na tela.
A conta precisa fechar.
LUZ, CÂMERA… E EMPREGO.
Fontes: Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e Projeto de Lei nº 3.574/2024.



