O Governo do Estado apertou o controle sobre o Fundo Soberano do Rio de Janeiro. Novas regras para aplicação dos recursos passaram a exigir maior ligação dos projetos com o planejamento estratégico estadual e acompanhamento da execução física e financeira.
Traduzindo: projeto aprovado não significa dinheiro garantido até o fim.
A nova regulamentação prevê revisão da carteira de investimentos e abre espaço para o cancelamento de projetos que ainda não começaram. Obras em andamento e intervenções emergenciais de redução de riscos são exceções.
A mudança ganha peso porque o Fundo não tem mais o mesmo tamanho de alguns anos atrás. O saldo, que chegou a cerca de R$ 3,42 bilhões no fim de 2023, estava próximo de R$ 2,07 bilhões em junho de 2026.
E existe muito dinheiro na fila.
Em março, projetos aprovados somavam aproximadamente R$ 730 milhões. Agora, com a revisão, o governo quer priorizar iniciativas alinhadas ao planejamento estadual, com capacidade de gerar emprego, renda e desenvolvimento regional.
Mas a pergunta que interessa ao contribuinte é outra:
Quanto dinheiro já foi liberado? Quais projetos começaram? Quais estão parados? E quais poderão ser cancelados?
A nova regra também coloca sob os holofotes as próprias aplicações financeiras do Fundo. Durante a revisão, representantes da Fazenda apontaram cerca de R$ 1 bilhão em reservas aplicadas em desacordo com regras que estavam vigentes, exigindo uma reorganização gradual para evitar perdas.
Ou seja, o governo está mexendo em duas pontas ao mesmo tempo: nos investimentos em obras e projetos e na forma como o dinheiro do Fundo está aplicado.
O petróleo continua gerando bilhões para o Estado. O desafio é saber quanto dessa riqueza está realmente virando infraestrutura, desenvolvimento e patrimônio para o futuro.
A nova regra coloca uma cobrança simples na mesa:
se o projeto não anda, o dinheiro pode voltar para a fila.
E agora começa a investigação que interessa ao cidadão: onde está o dinheiro do Fundo Soberano e o que ele está entregando ao Rio?
Fontes: Governo do Estado do Rio de Janeiro, Conselho Gestor do Fundo Soberano, Secretaria de Estado de Fazenda e Alerj.



