Por Jornalista Arinos Monge
A guerra pelo controle de territórios em Duque de Caxias ganhou um novo capítulo — e desta vez o caminho usado pelo crime não era uma rua, uma viela ou uma barricada. Era o rio.
Uma fiscalização realizada na localidade do Sapinho, no Pantanal, revelou a existência de um cais improvisado que, segundo informações levantadas durante a visita, teria sido construído por criminosos para permitir a travessia pelo rio em direção à região da Jerusa. Parte da estrutura já havia sido retirada por policiais do 15º BPM, mas o restante ainda precisava ser removido. A cobrança pela retirada completa foi feita pelo deputado estadual Marcelo Dino, que esteve no local e levou a questão ao comando do batalhão. (Jornal Correio da Manhã)
O detalhe que transforma o caso em algo maior é justamente a localização. O Pantanal está no centro de uma disputa territorial que vem deixando marcas na rotina de quem mora na região. Levantamento publicado nesta quarta-feira apontou 11 mortes desde o começo de agosto em confrontos relacionados à disputa entre grupos criminosos. Escolas precisaram adotar protocolos de segurança e a unidade de saúde do Pantanal também teve atendimento prejudicado. (Agenda do Poder)
No dia 23, a tensão chegou a outro nível com relatos do lançamento de granadas por um drone na comunidade do Corte Oito. O episódio é investigado dentro do contexto da disputa entre grupos criminosos pelo domínio territorial. A Polícia Civil informou que a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense apura os assassinatos, enquanto unidades especializadas trabalham com inteligência e operações contra o tráfico. (Agenda do Poder)
É nesse cenário que aparece o cais.
A estrutura, segundo as informações divulgadas, teria sido criada como uma espécie de passagem alternativa para facilitar a movimentação de criminosos entre áreas separadas pelo rio. Não se trata, portanto, apenas de uma construção clandestina à margem da água. A suspeita é que o local estivesse integrado à estratégia de circulação de integrantes do crime organizado.
O 15º BPM, responsável pelo policiamento de Duque de Caxias, mantém equipes na região e informou, segundo a apuração publicada nesta semana, que o patrulhamento é ajustado conforme a movimentação das áreas consideradas mais críticas. A unidade também atua na retirada de obstáculos utilizados para dificultar o acesso das forças de segurança. (Agenda do Poder)
15º Batalhão de Polícia Militar é justamente a unidade que passou a ser cobrada pela retirada completa do cais.
A história não começou agora. Em julho, outra fiscalização atribuída ao deputado Marcelo Dino terminou com o acionamento do 15º BPM diante de uma tentativa de instalação de barricada na Vila Urussaí. Na ocasião, havia concreto e entulho sendo utilizados para bloquear uma via. (Jornal Capital – Mercado & Negócios)
O que muda agora é a descoberta de uma estrutura associada à travessia pelo rio.
Para os moradores, o problema é muito mais simples de entender: quando o crime cria caminhos próprios, fecha ruas, instala barricadas ou transforma equipamentos públicos em obstáculos, quem perde é quem precisa sair de casa para trabalhar, levar criança para a escola ou chegar ao posto de saúde.
E é justamente aí que a história do cais deixa de ser apenas uma ocorrência policial e passa a representar um problema de território.
A pergunta que fica para as autoridades é direta: se foi encontrado um cais clandestino utilizado como rota de fuga, existem outras estruturas semelhantes escondidas nos rios e canais da região?
Essa resposta ainda não apareceu publicamente.
Também não há, até o momento, informação pública indicando que uma investigação específica tenha identificado os responsáveis pela construção do cais. O que existe é a constatação da estrutura, a retirada parcial feita pela polícia e a cobrança para que o restante seja eliminado. (Jornal Correio da Manhã)
Enquanto isso, Duque de Caxias continua convivendo com uma disputa que já ultrapassou os limites das comunidades. O reflexo chegou às escolas, aos serviços de saúde, às ruas e agora também às margens do rio.
No papel, o cais pode parecer apenas madeira, concreto e improviso.
Na vida real, pode ter sido uma ponte para o crime escapar do cerco.
E quando o criminoso começa a escolher até por onde entra e por onde sai, a discussão deixa de ser somente sobre policiamento. Passa a ser sobre quem, de fato, consegue circular livremente dentro do próprio território.




