Pedido de reforço inclui dez municípios da Baixada e Região Metropolitana; tribunal já transferiu 72 locais de votação por razões de segurança
A Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro voltou a pedir reforço das Forças Armadas para garantir a segurança das eleições. Nesta quinta-feira (15), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) aprovou por unanimidade a solicitação de tropas federais para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando os eleitores fluminenses voltarão às urnas para escolher o presidente da República.
O pedido abrange 15 municípios. Dez deles estão na Baixada Fluminense e na Região Metropolitana: Belford Roxo, Duque de Caxias, Japeri, Mesquita, Nova Iguaçu, Nilópolis, Queimados, São João de Meriti, Seropédica e Itaguaí. Também estão na lista Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Magé.
A solicitação foi aprovada pelo plenário do TRE-RJ, mas ainda precisa ser analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se houver autorização, caberá ao TSE formalizar o pedido ao Ministério da Defesa.
Os números da segurança eleitoral
O reforço federal não é a única medida adotada pela Justiça Eleitoral. Dados divulgados pelo próprio TRE-RJ mostram que 72 locais de votação foram alterados por razões de segurança, atingindo aproximadamente 202 mil eleitores em 20 municípios.
As mudanças buscam afastar as seções eleitorais de áreas consideradas de alto risco, incluindo territórios submetidos à influência de facções criminosas e grupos milicianos. O tribunal informou que o levantamento leva em conta informações de inteligência das forças de segurança e procura garantir que os novos locais fiquem o mais próximo possível dos endereços originais, sem expor os eleitores a áreas de risco.
O número de locais transferidos já supera os 53 registrados nas eleições municipais de 2024, segundo o TRE-RJ.
Por que as tropas são solicitadas?
Ao justificar o pedido, o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou que permanecem as condições de segurança que motivaram a solicitação no primeiro turno. Segundo ele, o controle territorial armado exercido por facções criminosas e grupos milicianos representa uma ameaça à liberdade de escolha dos eleitores e à segurança de mesários, servidores e magistrados.
A previsão é que militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica atuem no apoio logístico à distribuição das urnas e no patrulhamento de vias expressas.
O tribunal, porém, não divulgou no comunicado o número de militares que poderá ser empregado em cada município. Também não detalhou quais locais receberão reforço prioritário. Esses dados dependem dos próximos desdobramentos da solicitação.
Eleição para governador já terminou no primeiro turno
Há outro dado importante para o eleitor fluminense. Na mesma quinta-feira, o TRE-RJ homologou a retotalização dos votos e proclamou Douglas Ruas (PL) governador eleito no primeiro turno, com 50,88% dos votos válidos.
O recálculo ocorreu após a Justiça Eleitoral considerar nulos os 274.411 votos de Anthony Garotinho, cujo registro de candidatura foi indeferido. Com a nova totalização, Eduardo Paes passou a registrar 44,16%.
Assim, a votação de 25 de outubro no Rio de Janeiro será para presidente da República, e não para governador, conforme o resultado proclamado pelo tribunal. Eventuais questionamentos judiciais devem ser acompanhados separadamente, sem confundir o pedido de segurança com a disputa sobre o resultado eleitoral.
O que falta esclarecer: quantos militares serão enviados, quais áreas receberão o efetivo e quando o TSE decidirá sobre a solicitação. São informações importantes para medir o alcance da operação e orientar os eleitores.
Fontes e documentos: Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), comunicado de 15 de outubro de 2026 sobre a solicitação de Força Federal; levantamento oficial sobre a transferência de locais de votação; decisão de retotalização e proclamação do resultado para governador.
Por Jornalista Arinos Monge




