SAÚDE SOB INTERVENÇÃO: NOVA IGUAÇU CORRE CONTRA O RELÓGIO PARA PAGAR SALÁRIOS E EVITAR COLAPSO NO HOSPITAL DA POSSE
Após saída do Instituto IDEAS, Prefeitura assume gestão direta de unidades críticas e tenta conter crise de confiança de funcionários que aguardam pagamentos até esta terça-feira.
NOVA IGUAÇU – O início desta semana é de tensão máxima nos corredores do Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse) e da Maternidade Mariana Bulhões. Sob o Decreto Municipal nº 14.177, a Prefeitura de Nova Iguaçu opera em regime de intervenção direta após o Instituto IDEAS devolver a gestão das unidades, alegando incapacidade operacional. Agora, o governo municipal enfrenta o seu maior desafio: honrar o pagamento dos salários atrasados dos profissionais de saúde até amanhã, 12 de maio.
O Fim da “Terceirização de Fachada”
A intervenção, que também abrange as UPAs de Miguel Couto e Patrícia Marinho, marca um ponto de rutura no modelo de gestão por Organizações Sociais (OSs) na Baixada Fluminense. A prefeitura optou pela ocupação provisória para evitar a interrupção dos atendimentos, mas herdou uma dívida trabalhista e de fornecedores que ameaça a estabilidade do sistema. A estratégia atual é utilizar os recursos que seriam repassados à OS para quitar diretamente as folhas de pagamento, cortando intermediários que, segundo fontes da auditoria, contribuíram para o “ralo” financeiro na saúde.
Funcionários em Alerta
Para os técnicos de enfermagem, médicos e pessoal de apoio, o clima é de vigilância. Embora a prefeitura tenha garantido a manutenção dos postos de trabalho, o cumprimento do prazo de amanhã (terça-feira) é visto como o “termômetro” da nova gestão. “Estamos trabalhando no limite, mas sem o dinheiro na conta, a manutenção dos serviços fica insustentável”, afirma um profissional que preferiu não se identificar.
Gestão Direta como Solução de Emergência
Enquanto o governo interino no Rio de Janeiro promove uma “faxina” nos contratos estaduais, Nova Iguaçu antecipa o movimento em nível municipal. A meta da Secretaria de Saúde é estabilizar as operações e auditar cada centavo devido pelo Instituto IDEAS. O sucesso desta intervenção poderá ditar o futuro da saúde na Baixada: o retorno ao modelo de gestão direta ou a busca por parceiros com maior rigor técnico e financeiro.
O desfecho desta crise depende das próximas 24 horas. Caso o cronograma de pagamentos seja cumprido, a prefeitura ganha fôlego para reestruturar as unidades. Caso contrário, a pressão sobre o Hospital da Posse, que já atende um volume acima da capacidade, pode atingir um ponto de não retorno.
Fontes Consultadas:
- Diário Oficial de Nova Iguaçu – Edição de Intervenção Administrativa.
- Painel de Transparência da Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS).
- Sindicato dos Profissionais de Saúde da Baixada Fluminense.



