CRIVELLA FICA NO FIO DA NAVALHA: TRE-RJ EMPATA EM 3 A 3 E VOTO DO PRESIDENTE PODE DECIDIR O QG DA PROPINA
Julgamento sobre o recebimento da denúncia criminal terminou empatado; presidente do Tribunal pediu vista e adiou novamente uma decisão que pode ter impacto direto no futuro político do ex-prefeito
Marcelo Crivella voltou a ficar no centro de uma das disputas jurídicas mais delicadas da política fluminense. O julgamento da denúncia relacionada ao chamado “QG da Propina” terminou empatado em 3 votos a 3 no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) na quinta-feira (13).
Quando o empate abriu caminho para o voto decisivo, o presidente da Corte, desembargador Cláudio de Mello Tavares, pediu vista do processo.
A decisão, portanto, não saiu.
E é justamente aí que está a força do caso: o próximo voto poderá definir se a denúncia contra Crivella seguirá adiante na Justiça Eleitoral ou será rejeitada.
O placar
Até a interrupção do julgamento, três desembargadores votaram pela rejeição da denúncia e outros três entenderam que ela deve ser recebida.
Pela rejeição, votaram a relatora, desembargadora Manoela Dourado, e os desembargadores Fernando Cerqueira Chagas e Bruno Bodart.
Pelo prosseguimento da ação, votaram Guilherme Calmon, Sylvia Hausen e Paulo Cesar Salomão Filho. Salomão havia pedido vista na sessão de 23 de julho e devolveu o processo ontem, apresentando voto favorável ao recebimento da denúncia. (Tempo Real RJ)
Com o placar em 3 a 3, caberia ao presidente da Corte desempatar.
Mas ele preferiu analisar os autos antes de apresentar seu voto.
Não é condenação
Aqui está o ponto que precisa ser explicado.
O julgamento atual não está decidindo se Crivella é culpado ou inocente das acusações do chamado QG da Propina.
O que os desembargadores analisam é se existem elementos suficientes para que a denúncia seja recebida e o processo criminal prossiga para uma etapa de instrução mais aprofundada.
O desembargador Paulo Salomão, ao votar pelo recebimento da denúncia, destacou justamente essa diferença: nesta fase, segundo a fundamentação apresentada, não seria necessária uma prova definitiva de culpa, mas a existência de elementos que justifiquem o prosseguimento da apuração.
Na outra ponta, os votos pela rejeição entenderam que não havia justa causa suficiente para o avanço da acusação.
É uma diferença enorme.
Receber a denúncia não significa condenar Crivella. Rejeitar a denúncia, por outro lado, pode impedir que essa ação penal avance nos termos apresentados.
A origem do caso
O chamado QG da Propina nasceu de uma investigação sobre um suposto esquema de corrupção durante a administração de Crivella na Prefeitura do Rio.
Segundo a acusação, empresários teriam pago propina para obter vantagens em contratos públicos.
Um dos contratos investigados envolve aproximadamente R$ 789 milhões entre o Previ-Rio e o grupo Assim Saúde. A acusação sustenta que teria havido direcionamento da licitação e que o esquema teria utilizado empresas de fachada e contratos fictícios para ocultar pagamentos.
O Ministério Público afirma que o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 32 milhões. Crivella nega as acusações.
Três interrupções
O julgamento já se transformou numa verdadeira novela jurídica.
A análise da denúncia foi interrompida anteriormente por pedidos de vista. Em junho, Guilherme Calmon pediu mais tempo para examinar o processo. Depois, na sessão de 23 de julho, o próprio Salomão Filho pediu vista.
Agora, depois de devolver o processo e votar pelo prosseguimento da ação, o empate foi formado e o presidente da Corte pediu nova vista.
Foi a terceira interrupção do julgamento, segundo o acompanhamento publicado após a sessão.
O peso político
O caso ganhou uma dimensão ainda maior porque Crivella está novamente no jogo político.
O ex-prefeito é deputado federal e aparece no cenário eleitoral de 2026 como pré-candidato ao Senado pelo Republicanos. A situação jurídica dele, portanto, não é apenas um capítulo de uma investigação antiga.
Há também uma questão eleitoral por trás de todo esse processo.
O TSE já havia analisado a situação de Crivella em outro contexto e suspendido os efeitos de uma condenação que havia provocado restrições eleitorais. Na ocasião, a existência de votos no TRE-RJ pela rejeição da denúncia do QG da Propina foi considerada na decisão. (Tempo Real RJ)
Por isso, cada voto no julgamento atual ganhou peso político.
O próximo capítulo
Agora, a bola está com o presidente do TRE-RJ.
Cláudio de Mello Tavares deverá apresentar seu voto quando o processo voltar à pauta.
Se votar pelo recebimento, a denúncia poderá alcançar maioria de 4 a 3 e avançar.
Se votar pela rejeição, o resultado poderá ficar 4 a 3 contra o prosseguimento da acusação.
É exatamente esse placar que transformou o julgamento em uma das disputas jurídicas mais importantes da política fluminense neste momento.
Crivella, por enquanto, não foi condenado nem absolvido nesse processo.
Mas está a um voto de saber se enfrentará uma nova etapa judicial no caso que há anos acompanha sua trajetória política.
E o voto que falta está nas mãos do presidente do TRE-RJ.
A próxima sessão, portanto, não será apenas mais uma sessão de julgamento. Pode ser o dia em que o Tribunal decidirá se o chamado QG da Propina continuará vivo na Justiça Eleitoral ou se a denúncia ficará pelo caminho.
Fontes: TRE-RJ; acompanhamento da sessão de 13/08/2026



