Megaoperação mobilizou oito comandos de policiamento e unidades especiais em 27 comunidades; Duque de Caxias, São João de Meriti e Queimados estiveram entre os municípios alcançados pela ofensiva
O Rio de Janeiro amanheceu nesta quinta-feira (13) sob uma das maiores mobilizações simultâneas da Polícia Militar dos últimos dias. Vinte e sete batalhões, oito Comandos de Policiamento de Área e unidades do Comando de Operações Especiais (COE) foram empregados em uma ofensiva contra a expansão territorial do Comando Vermelho (CV).
A operação atingiu comunidades da capital, da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana. O objetivo oficial foi direto: conter a expansão territorial da facção, cumprir mandados de prisão, apreender armas e drogas, recuperar veículos roubados e retirar barricadas.
E o balanço do dia mostrou que a operação esteve longe de ser apenas uma ação de patrulhamento.
Até o fim da quinta-feira, 13 pessoas haviam sido presas e quatro morreram em confrontos, segundo balanço divulgado pela Agência Brasil. Também foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas e seis granadas.
A Baixada
O detalhe que interessa diretamente à população da Baixada é que a operação também avançou para municípios da região.
Duque de Caxias, São João de Meriti e Queimados estiveram entre as cidades alcançadas pela mobilização, que também passou por Magé e outros pontos da Região Metropolitana. (Diário do Rio – Quem Ama o Rio Lê)
A presença da Baixada na operação revela uma preocupação que vai além dos limites das comunidades da capital: a disputa territorial entre grupos criminosos tem reflexos sobre uma área metropolitana inteira, atingindo transporte, circulação, comércio e segurança dos moradores.
É justamente nas áreas de ligação entre capital e Baixada que o problema ganha uma dimensão ainda maior.
Barricadas
No Complexo do Chapadão, policiais do 41º BPM realizaram a chamada Operação Barricada Zero, voltada especialmente para combater roubos de cargas e veículos e retirar obstáculos instalados por criminosos.
Durante a ação, criminosos chegaram a incendiar veículos para bloquear vias, numa tentativa de dificultar o avanço policial. (Folha de S.Paulo)
A cena expõe um dos problemas mais antigos da segurança pública do Rio: barricadas não servem apenas para impedir a entrada da polícia. Elas também interferem diretamente na vida de quem mora ou trabalha nessas regiões.
Quando uma via é bloqueada, quem perde o direito de ir e vir é o morador.
Fuzil apreendido
Em Brás de Pina, policiais do 16º BPM encontraram um homem com um fuzil AR-10 durante a operação nas comunidades do Quitungo e Guaporé.
Segundo a Polícia Militar, o suspeito seria investigado por participação na morte do sargento Marco Antônio Matheus Maia, ocorrida em dezembro de 2024. (Diário do Rio –
Na Cidade de Deus, dois suspeitos foram baleados durante confronto com policiais do 18º BPM. Uma pistola, uma granada, um rádio transmissor e material entorpecente foram apreendidos.
No Andaraí, o Bope também entrou em ação, em uma região marcada por disputas territoriais entre grupos criminosos.
O que está por trás
A operação desta quinta-feira não pode ser analisada apenas pelo número de policiais mobilizados.
O próprio objetivo anunciado pela PM revela o problema central: impedir que o Comando Vermelho avance sobre novos territórios.
Isso significa que o Estado está reagindo a uma disputa pelo controle de áreas que envolvem não apenas pontos de venda de drogas, mas também roubo de veículos e cargas, barricadas e domínio da circulação local.
Quando uma facção tenta avançar, outra organização criminosa tende a reagir.
E o resultado dessa disputa chega rapidamente às ruas.
Tiroteios, vias fechadas, ônibus desviados, comércio afetado e moradores impedidos de circular passam a fazer parte da rotina.
A pergunta
A grande questão agora é saber se a ofensiva terá efeito permanente ou apenas interromperá temporariamente o avanço territorial do crime.
Operações de grande porte conseguem apreender armas, prender suspeitos e retirar barricadas.
Mas território é diferente.
Se o Estado deixa de ocupar novamente essas áreas, o crime pode tentar reconstruir sua estrutura depois que os blindados e as tropas deixam as ruas.
É por isso que a operação desta quinta-feira pode ser vista como mais do que uma ação policial.
É uma disputa pelo controle do território fluminense.
E, desta vez, a Baixada não ficou olhando de longe.
Ela também entrou no mapa da ofensiva.
Fontes: Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro; Agência Brasil; Folha de S.Paulo; Diário do Rio; Correio da Manhã; UOL.



