ESTIMULADA COLOCA EDUARDO PAES NA FRENTE EM TODOS OS PRINCIPAIS LEVANTAMENTOS; ESPONTÂNEA MOSTRA QUE UMA ENORME PARCELA DO ELEITORADO AINDA NÃO ESCOLHEU NOME. DOUGLAS RUAS É O ADVERSÁRIO QUE MAIS CRESCE.
Por Jornalista Arinos Monge
Não é uma pesquisa. São várias pesquisas.
E quando os números de diferentes institutos são colocados sobre a mesma mesa, sem escolher apenas aqueles que interessam a determinado candidato, aparece um retrato muito mais interessante da eleição para o Governo do Estado do Rio de Janeiro.
A conclusão, neste momento, é objetiva: Eduardo Paes está na frente. E está na frente em todos os principais levantamentos estimulados recentes que conseguimos confirmar.
Mas a segunda conclusão é tão importante quanto a primeira: a eleição ainda não está liquidada.
É a pesquisa espontânea que explica o motivo.
O levantamento mais recente da AtlasIntel, divulgado em 3 de setembro, colocou Paes com 43,6%, Douglas Ruas com 27,6% e Anthony Garotinho com 10,7% no cenário estimulado. A Real Time Big Data, com entrevistas realizadas entre 28 de agosto e 1º de setembro, encontrou Paes com 35%, Ruas com 21% e Garotinho com 7%.
A Quaest, em campo entre 21 e 24 de agosto, registrou Paes com 37%, Ruas com 14% e Garotinho com 7%. A Paraná Pesquisas encontrou 44,5% para Paes, 15,5% para Ruas e 11,6% para Garotinho. O Datafolha apontou 41%, 19% e 9%, respectivamente. E a Prefab Future, na pesquisa realizada entre 20 e 23 de agosto, mostrou Paes com 34,9%, Ruas com 14,7% e Garotinho com 9,5%.
São fotografias diferentes, feitas em dias diferentes, mas todas apontam para a mesma direção.
Paes lidera. Ruas ocupa o segundo lugar. Garotinho aparece em terceiro.
E existe um detalhe que merece atenção: na Prefab, Ruas saltou de 10,9% para 14,7%, enquanto Garotinho caiu de 10,8% para 9,5%.
Não é apenas uma disputa pela segunda colocação.
É o começo de uma mudança na composição da oposição.
A CONTA DAS PESQUISAS
Quando fazemos uma média simples das seis pesquisas estimuladas mais recentes e comparáveis — AtlasIntel, Real Time, Quaest, Paraná, Datafolha e Prefab — o quadro fica assim:
Eduardo Paes: 39,3%
Douglas Ruas: 18,6%
Anthony Garotinho: 9,1%
William Siri: 2,9%
Coronel Busnello: 2,9%
André Marinho: 2,6%
Cyro Garcia: 1,6%
Juliete Pantoja: 1,1%
Luan Monteiro: 0,4%
Não se trata de uma nova pesquisa eleitoral. É uma média matemática das pesquisas existentes. E essa diferença precisa ser respeitada.
Mesmo assim, o resultado é significativo.
Paes aparece com mais que o dobro de Ruas e mais de quatro vezes a média de Garotinho.
A liderança, portanto, não depende de um único instituto.
MAS A URNA NÃO RECEBE A LISTA DE CANDIDATOS
É aqui que entra a parte mais interessante da história.
Na pesquisa estimulada, o entrevistador apresenta os nomes.
Na espontânea, não.
O eleitor precisa lembrar sozinho em quem pretende votar.
E a espontânea conta uma história completamente diferente da fotografia estimulada.
A Real Time encontrou Paes com 20%, Ruas com 10% e Garotinho com 3%.
O Datafolha encontrou Paes com 21%, Ruas com 8% e Garotinho com 3%.
A Paraná Pesquisas registrou Paes com 19,1%, Ruas com 7,1% e Garotinho com 3,1%.
Na Quaest, foram 16% para Paes, 7% para Ruas e 1% para Garotinho.
E a Prefab apresentou uma espontânea ainda mais aberta, com 13,3% para Paes, 6,9% para Ruas e 2,1% para Garotinho.
Ou seja: quando o pesquisador tira a cola da frente do eleitor, a eleição diminui de tamanho.
E muito.
A VETOR ARROW ACENDE A LUZ AMARELA
A pesquisa espontânea mais recente da Vetor Arrow, realizada entre 29 de agosto e 1º de setembro, é particularmente importante porque mostra Paes com 26,5%, Douglas Ruas com 10,7% e Garotinho com 5,3%.
É uma pesquisa de metodologia própria e não deve ser simplesmente misturada às estimuladas como se fossem números equivalentes. Mas ela confirma uma tendência: Paes lidera também quando não é apresentado ao eleitor.
E há outro dado importante.
Na série espontânea da Vetor, Ruas vem avançando rodada após rodada. Na pesquisa de agosto, chegou a 8,4%; agora aparece com 10,7%.
Isso merece atenção.
Porque Ruas não é apenas o segundo colocado na estimulada. É também o nome que apresenta crescimento mais perceptível entre os adversários nas séries recentes.
A ELEIÇÃO QUE PAES PRECISA VENCER
Existe uma diferença enorme entre liderar uma pesquisa e ter uma eleição decidida.
Paes tem hoje uma vantagem confortável na intenção de voto estimulada.
Mas a espontânea mostra um eleitorado ainda em formação.
Na Datafolha, por exemplo, Paes aparece com 21% na espontânea e Ruas com 8%, enquanto 52% não apontam espontaneamente um candidato.
Na Real Time, Paes tem 20%, Ruas 10% e 47% não sabem ou não respondem.
Na Quaest, o grau de indefinição também é elevado.
Isso significa que existe um enorme contingente de eleitores que ainda pode ser disputado.
E eleição se ganha justamente nessa faixa.
PAES ESTÁ NO PRIMEIRO TURNO?
Aqui é preciso tomar cuidado.
Transformar automaticamente o percentual bruto de uma pesquisa em votos válidos é uma simplificação.
Ainda assim, fazendo a conta individual dos levantamentos recentes, retirando branco, nulo e indecisos quando a metodologia permite, Paes aparece próximo ou acima da marca de 50% dos votos válidos em parte importante das pesquisas.
Na média matemática das seis pesquisas estimuladas, o resultado fica na vizinhança dos 50% dos votos válidos.
É uma situação muito favorável.
Mas não autoriza a manchete “Paes já ganhou”.
A leitura jornalística correta é outra:
Paes está hoje na fronteira matemática de uma vitória no primeiro turno.
A diferença é enorme.
Estar na fronteira significa que ele tem caminho para vencer na primeira rodada.
Não significa que a urna já confirmou essa vitória.
O QUE PODE MUDAR ESSA CONTA?
Três coisas.
A primeira é o eleitor indeciso.
A segunda é a capacidade de Douglas Ruas transformar o crescimento atual em voto consolidado.
A terceira é a distribuição regional do voto.
A própria série da Vetor mostra que Paes possui força muito grande na capital. Em levantamento anterior, chegou a 37,4% na cidade do Rio, enquanto apresentava desempenho inferior em áreas do interior. Garotinho, por sua vez, mostrou força maior no Norte Fluminense, enquanto Ruas apareceu mais competitivo no Leste Fluminense.
É aí que a eleição deixa de ser apenas uma disputa de números estaduais.
Rio não é uma coisa só.
Capital, Baixada, Região Metropolitana, Leste Fluminense, Norte, Noroeste, Serrana e Sul Fluminense possuem comportamentos eleitorais diferentes.
Paes pode abrir uma vantagem enorme na capital e ainda precisar administrar a transferência desse desempenho para o restante do Estado.
E A BAIXADA?
Aqui está uma das grandes perguntas da eleição.
A Baixada Fluminense possui peso eleitoral gigantesco e pode ser decisiva na definição do segundo colocado — e, dependendo do tamanho da vantagem de Paes na capital, também na definição do primeiro turno.
Douglas Ruas precisa crescer fora de seus redutos mais conhecidos.
Garotinho precisa recuperar terreno no eleitorado interiorano.
E Paes precisa transformar sua vantagem na capital em uma vantagem estadual suficientemente larga.
A matemática é simples:
quanto maior for a diferença de Paes na capital, menos ele precisa ganhar no interior.
Quanto menor essa diferença, maior será a importância dos votos da Baixada e das regiões do interior.
GAROTINHO AINDA ESTÁ NO JOGO?
Está.
Mas hoje a fotografia não é confortável para ele.
A média dos seis levantamentos estimulados recentes coloca Garotinho em aproximadamente 9%.
E a disputa pelo segundo lugar passou a ter outro personagem.
Douglas Ruas.
Na Prefab, Ruas já abriu 5,2 pontos sobre Garotinho. Na Real Time, a diferença chega a 14 pontos. Na Atlas, são 16,9 pontos.
Isso não significa que Garotinho esteja fora da eleição.
Significa que a disputa pela liderança da oposição mudou de endereço.
E OS OUTROS?
William Siri, Coronel Busnello e André Marinho aparecem num segundo pelotão.
Não há, nos seis levantamentos recentes analisados, nenhum sinal de que um deles esteja próximo dos três primeiros.
Mas isso não significa que seus votos sejam irrelevantes.
Em uma eleição de primeiro turno, dois ou três pontos retirados de candidatos menores podem fazer diferença justamente na conta dos votos válidos.
E existe ainda o fator rejeição, que não pode ser ignorado numa análise completa.
E OS INSTITUTOS QUE FICARAM FORA DA PRIMEIRA CONTA?
Aqui está uma correção importante.
Não vamos chamar de “todas as pesquisas” uma tabela que tenha apenas os institutos mais famosos.
Além de AtlasIntel, Real Time, Quaest, Paraná, Datafolha e Prefab Future, existem levantamentos de Vetor Arrow, GERP, Veritá e 100% Cidades/Futura, entre outros registros.
O Tribunal Superior Eleitoral mantém consulta oficial às pesquisas registradas
Mas existe uma regra editorial que vamos respeitar:
pesquisa registrada sem resultado público confirmado não entra na média.
Não vamos inventar número.
Não vamos estimar resultado que não foi publicado.
Não vamos transformar site agregador em instituto.
E não vamos misturar uma pesquisa de março com uma de setembro para fabricar uma média “atual”.
É assim que se faz uma pesquisa das pesquisas com responsabilidade.
A FOTO DE HOJE
Se a eleição fosse fotografada agora, a imagem seria esta:
Paes é o líder absoluto.
Ruas é o adversário que mais cresce e já abriu distância importante de Garotinho em vários levantamentos.
Garotinho continua competitivo, mas precisa reagir.
Os demais estão atrás e precisam de uma mudança muito forte de cenário para entrar na briga principal.
Mas a espontânea conta outra parte da história:
uma multidão de eleitores ainda não escolheu espontaneamente ninguém.
É nesse eleitorado que a campanha será decidida.
A NOSSA “PESQUISA DAS PESQUISAS”
| POSIÇÃO | CANDIDATO | MÉDIA ESTIMULADA | SITUAÇÃO |
|---|---|---|---|
| 1º | Eduardo Paes | 39,3% | Líder consolidado |
| 2º | Douglas Ruas | 18,6% | Crescimento e consolidação do 2º lugar |
| 3º | Anthony Garotinho | 9,1% | Ainda competitivo, mas pressionado |
| 4º | William Siri | 2,9% | Segundo pelotão |
| 5º | Coronel Busnello | 2,9% | Segundo pelotão |
| 6º | André Marinho | 2,6% | Segundo pelotão |
| 7º | Cyro Garcia | 1,6% | Baixa intenção |
| 8º | Juliete Pantoja | 1,1% | Baixa intenção |
| 9º | Luan Monteiro | 0,4% | Baixa intenção |
Média simples das pesquisas estimuladas recentes de AtlasIntel, Real Time Big Data, Quaest, Paraná Pesquisas, Datafolha e Prefab Future. Não é uma nova pesquisa eleitoral.
A VERDADE DOS NÚMEROS
Hoje, Eduardo Paes é o favorito.
Hoje, Paes tem caminho matemático para vencer no primeiro turno.
Hoje, não existe segurança jornalística para afirmar que ele já venceu no primeiro turno.
E hoje existe uma informação que talvez seja ainda mais importante:
a eleição está muito mais aberta na cabeça do eleitor do que parece quando o entrevistador apresenta a cartela de candidatos.
A estimulada mostra quem está na frente.
A espontânea mostra quanto dessa liderança já entrou de verdade na cabeça do eleitor.
E é justamente aí que a eleição de 2026 começa a ficar interessante.
Porque, enquanto Paes tenta transformar liderança em vitória no primeiro turno, Douglas Ruas tenta transformar crescimento em ameaça real, Garotinho procura recuperar espaço e dezenas de pontos percentuais continuam circulando entre eleitores que ainda não escolheram ninguém.
A campanha, portanto, não está decidida.
Ela está começando a ganhar forma.
E a próxima pesquisa relevante poderá dizer se Paes está realmente atravessando a linha dos 50% dos votos válidos — ou se essa linha ainda está mais distante do que a média das pesquisas sugere.
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral, registros oficiais de pesquisas eleitorais; AtlasIntel; Real Time Big Data; Quaest; Paraná Pesquisas; Datafolha; Prefab Future; Vetor Arrow. Dados de campo e registros considerados conforme disponibilidade pública até 6 de setembro de 2026.




