Investigação aponta prejuízo de aproximadamente R$ 500 mil. Suspeita marcava entrevistas com idosos, conseguia documentos pessoais e usava os dados para abrir contas e fazer empréstimos consignados. Nova Iguaçu está entre as cidades atingidas.
A confiança de idosos em projetos sociais teria sido transformada em instrumento de fraude financeira. Uma mulher foi presa nesta terça-feira (3), em Duque de Caxias, suspeita de se passar por funcionária de organizações não governamentais (ONGs) para conseguir documentos de pessoas idosas e contratar empréstimos em nome delas.
Segundo a Polícia Civil, o esquema teria provocado prejuízos estimados em cerca de R$ 500 mil. A investigação aponta que a suspeita entrava em contato por telefone, apresentava-se como representante de uma ONG e marcava entrevistas presenciais com os idosos.
O encontro, que aparentava ser uma iniciativa de atendimento ou assistência, seria usado para obter documentos e informações pessoais das vítimas.
Com os dados em mãos, a mulher abriria contas bancárias e contrataria empréstimos, inclusive consignados, deixando as vítimas com dívidas que não haviam autorizado.
NOVA IGUAÇU ESTÁ ENTRE AS CIDADES ATINGIDAS
As investigações indicam que a atuação da suspeita não ficou restrita a Duque de Caxias. Segundo a Polícia Civil, há registros de atuação em São Gonçalo, Niterói, Itaboraí e Nova Iguaçu.
A abrangência do caso chama atenção porque envolve diferentes municípios e um público especialmente vulnerável a abordagens que utilizam a aparência de assistência social para conquistar confiança.
A mulher foi localizada por agentes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), que cumpriram mandado de prisão relacionado aos crimes de furto e estelionato.
14 ANOTAÇÕES NOS REGISTROS POLICIAIS
De acordo com a Polícia Civil, consultas aos sistemas apontaram que a investigada possui 14 anotações relacionadas a ocorrências de furto, estelionato e associação criminosa.
A investigação busca esclarecer a extensão das fraudes e identificar outras possíveis vítimas.
O ALERTA PARA AS FAMÍLIAS
O caso deixa um alerta importante: documentos pessoais, fotografias de identidade, CPF, comprovantes de residência e dados bancários não devem ser entregues a desconhecidos sem confirmação da finalidade e da instituição responsável.
Uma entrevista, visita ou promessa de benefício social não autoriza ninguém a abrir contas ou contratar empréstimos em nome de outra pessoa.
Familiares de idosos também devem ficar atentos a descontos desconhecidos em benefícios, contratos bancários não reconhecidos e cobranças de empréstimos que nunca foram solicitados.
Na Baixada Fluminense, a investigação acende um sinal de alerta: até a confiança em uma suposta ação social pode ser usada como porta de entrada para um golpe.
A pergunta agora é quantos idosos ainda podem estar descobrindo que têm dívidas que nunca fizeram.
Apuração baseada nas informações divulgadas pela Polícia Civil nesta terça-feira (3). A suspeita é investigada; as acusações ainda dependem de apuração e decisão judicial.
Fontes: Metrópoles — investigação e estimativa de prejuízo · Polícia Civil do RJ — publicação da prisão · Informações da operação.
Por: Jornalista Arinos Monge




