Prefeitura afirma que verba estadual para custeio da unidade caiu de R$ 5,6 milhões para cerca de R$ 1 milhão por mês. Hospital realizou quase 136 mil atendimentos de urgência e emergência entre janeiro e outubro.
A crise no Hospital Municipal e Maternidade Juscelino Kubitschek, em Nilópolis, chegou à Justiça. A Prefeitura ingressou com pedido de tutela provisória de urgência para tentar recuperar os recursos estaduais destinados ao custeio da unidade, que teve os atendimentos de emergência e do Centro de Tratamento Intensivo (CTI) suspensos.
Segundo a administração municipal, o repasse mensal destinado ao hospital caiu de R$ 5,6 milhões para aproximadamente R$ 1 milhão, com efeitos retroativos a junho de 2026.
A Prefeitura afirma que a redução comprometeu a capacidade financeira de manter todos os serviços da unidade. O processo foi registrado sob o número 3145969-79.2026.8.19.0001.
QUASE 136 MIL ATENDIMENTOS EM DEZ MESES
Os números apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde mostram a dimensão regional do hospital.
Entre janeiro e outubro de 2026, foram realizados 135.950 atendimentos de urgência e emergência. Desse total, 53,6% foram destinados a moradores de Nilópolis.
Pacientes de outros municípios também utilizaram a unidade: 22% eram de Mesquita, 12% de São João de Meriti e 8,8% da cidade do Rio de Janeiro.
No mesmo período, o hospital contabilizou 2.200 internações, das quais 42,7% envolveram pacientes de fora de Nilópolis. Também foram realizadas 968 cirurgias eletivas, sendo aproximadamente 36% em moradores de outros municípios.
PREFEITURA E GOVERNO DO ESTADO APRESENTAM VERSÕES DIFERENTES
A Prefeitura afirma que a mudança nos critérios de financiamento foi aprovada sem discussão prévia adequada com os municípios. Segundo o secretário municipal de Saúde, André Luis Esteves Batista, houve manifestação contrária à alteração durante reunião da Comissão Intergestores Bipartite, em 9 de julho.
A administração municipal também informou ter encaminhado ofícios ao Governo do Estado em julho e agosto, solicitando reuniões para discutir a situação do hospital.
Já a Secretaria de Estado de Saúde sustenta que os novos critérios foram estabelecidos pela Resolução SES nº 4.024/2026, com o objetivo de ampliar e descentralizar a distribuição dos recursos entre os 92 municípios fluminenses.
O Estado informou que transferiu R$ 3,3 milhões para Nilópolis em setembro, dentro do prazo previsto.
A Prefeitura confirmou o recebimento de R$ 3.276.931,99, mas explicou que somente R$ 1 milhão desse montante foi destinado ao custeio do Hospital Juscelino Kubitschek. Os demais valores possuem destinações específicas para outros serviços da rede municipal.
QUAIS SERVIÇOS CONTINUAM FUNCIONANDO
Com a suspensão da emergência e do CTI, a Prefeitura orienta os pacientes que necessitam de atendimento de urgência a procurar a UPA do bairro Cabuís.
A maternidade 24 horas, as internações de clínica médica e as cirurgias eletivas continuam funcionando, segundo a administração municipal, com recursos federais.
Até esta terça-feira (3), não havia previsão anunciada para a retomada dos atendimentos de emergência e do CTI.
A disputa sobre o financiamento do hospital agora também será examinada pela Justiça.
Fontes: O Dia — detalhes dos repasses e atendimentos · Rádio Manchete — ação judicial e posição da Prefeitura · Diário do Rio — suspensão dos serviços.
Por: Editoria



