Fernanda Ontiveros perdeu o mandato por oito votos a três. Polícia Civil investiga suspeita de compra de apoio político envolvendo vereadores e cargos comissionados.
A crise política de Japeri ganhou dois capítulos que colocaram a Prefeitura e a Câmara Municipal no centro das atenções. De um lado, a prefeita Fernanda Ontiveros (PT) teve o mandato cassado por oito votos a três, em sessão realizada no dia 10 de outubro. De outro, a Polícia Civil investiga uma denúncia de suposta compra de apoio político dentro do Legislativo municipal.
A cassação ocorreu após a análise de um processo político-administrativo que apontou possíveis irregularidades na administração municipal, incluindo contratos e licitações. O vice-prefeito Carlos Januário (Solidariedade), que também respondia ao processo, foi absolvido por unanimidade.
Com a decisão da Câmara, Carlos Januário assumiu o comando da Prefeitura.
OPERAÇÃO INVESTIGA SUPOSTA OFERTA DE R$ 400 MIL
Em 21 de agosto, a Polícia Civil deflagrou a Operação Preço do Poder, por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).
A investigação apura suspeitas de corrupção ativa, corrupção passiva e extorsão relacionadas a possíveis negociações para formação de uma maioria parlamentar favorável ao afastamento da prefeita.
Segundo a Polícia Civil, teria sido oferecida a quantia de R$ 400 mil a um vereador, além de vantagens relacionadas à ocupação de cargos comissionados na estrutura da Câmara.
Entre os investigados estão o presidente da Câmara, Rogério Gomes Castro, conhecido como Rogerinho da RR, o vereador Mateus Coutinho Ferraz e outras pessoas.
Durante a investigação, foram identificadas conversas por aplicativos de mensagens que mencionariam a suposta oferta financeira. A polícia também apura a possível utilização de cargos comissionados para beneficiar integrantes do grupo político.
Os mandados de busca e apreensão tiveram como objetivo recolher documentos, celulares e equipamentos eletrônicos para aprofundar a apuração.
AS ACUSAÇÕES QUE LEVARAM À CASSAÇÃO
O processo político-administrativo contra Fernanda Ontiveros reuniu acusações relacionadas a contratos da Secretaria Municipal de Educação e à obra de uma Unidade Básica de Saúde no bairro São Jorge.
Também foram levantados questionamentos sobre procedimentos administrativos e possíveis irregularidades em licitações.
Duas comissões parlamentares de inquérito da Câmara examinaram questões envolvendo as áreas de Saúde e Educação. Na Saúde, foram apontados problemas relacionados a jornadas de trabalho e folhas de ponto de profissionais. Na Educação, um dos contratos questionados foi o de aproximadamente R$ 4 milhões para serviços de adequação elétrica em escolas municipais.
A defesa da prefeita contestou as acusações e apresentou questionamentos sobre a condução do processo de cassação.
INVESTIGAÇÕES CONTINUAM
A Operação Preço do Poder e o processo político-administrativo de cassação são procedimentos distintos. A decisão da Câmara não representa condenação criminal dos investigados na operação policial.
A Polícia Civil continua responsável pela apuração das suspeitas envolvendo a suposta oferta de dinheiro e a distribuição de cargos comissionados.
Em Japeri, a mudança no comando do Executivo municipal foi acompanhada por uma investigação que envolve integrantes do Legislativo e por questionamentos sobre contratos e procedimentos administrativos da antiga gestão.
Fontes: Polícia Civil do RJ, por meio da Operação Preço do Poder; O Dia — investigação na Câmara de Japeri; UOL — cassação da prefeita; Fato Fluminense — processo de cassação.
Por: Jornalista Arinos Monge




